domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ah, mas de todos os seres que posso ser, me componho hoje no mais meu, o mais íntimo.
E ele é assim, toma forma, é tão independente de minhas vontades, me consome, me deixa nua.
Então minto, sou vulgar, não paro de rir. Sou ardilosa, egoísta e mal educada tanto quanto sei que sou. Eu invejo, morro por dentro e ele me ressuscita.

Ah, sou tantas...tantos...todos contidos num só.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os minutos escorrem devagar.
Alheios tranquilos a gargalhar numa sinfonia enlouquecedora em parceria com minhas entranhas famintas.
Dor psicofísica.
Preciso ir.
Esse teu jeito, tem tão pouco a ver com o meu, já esbarrei por aí com tantas outras almas de maior concordancia, mas por burrice e teimosia, sigo a te querer.
Pior que não conquistar o que se quer, é conquistar o que não se quer.
Quatro da manhã não paro de pensar nela.
De me preocupar com ela.
Ela me enlouquece, exige muito de mim e nunca se satisfaz.
Reclamo!
Indago-a porque tanta adversidade, digo que poderia ser melhor, mais justa.
E ainda assim ela permanece.
Escorrendo devagar pelo meu corpo, me fazendo suspirar. Às vezes penso em acabar com ela, e pôr fim à miséria que me cerca.
Mas de alguma forma ela me surpreende, e me convence a permiti-la ficar, coexistir dentro de mim. Nem que seja por mais umas horas.
Vida...
Queria poder ser feliz qundo eu realmente estiver feliz. E poder sorrir apenas quando meus olhos sorrirem também.
Ela fazia pose, e em seus lábios parecia cantar a mesma canção que explodia em meus fones.
E o Brian a repetir: Remember me...
Os pensamentos voam longe, meu coração dispara.
Não sei o que sentir.
As palavras se misturam. Saem pela metade.
Sou incapaz de verbalizar uma frase coesa.
Esse burburinho me enlouquece.
Faz ecoar na minha cabeça a maldita batucada que alguém faz na mesa ao lado. Sinto-me fortemente inclinada a ir embora, mas já estou aqui há tanto tempo que não seria capaz de deixar que essa espera não rendesse nada. Continuo a esperar.
A velha de roxo.
Dedico meus minutos a oberva-la agora. Foi ela, sem dúvida, a figura mais interessante que tive o desprazer de respirar o mesmo ar hoje. Muito elegante. Olhos cor de avelã.
Fico a desvendá-la. Procuro sua beleza escondida meio as vilosidades de sua pele.
Continuo a esperar.
Vergonha.
Humilhação.
Mentira.
Esgotamento.
Estremeço e passo mal.
Uma montanha russa invisível que me põe constantemente de ponta cabeça. Taquicardia. Sinto-os todos voltando os olhos inquisitores para mim.
Não diga.
Não chame meu nome.
Esse clima é todo muito bom quando esqueço o que estou fazendo e me concentro apenas em onde estou. Eu os odeio. Odeio seus sorrisos, livros, festas e camisetas.
Não entendo a felicidade deles, assim como minha irritação, tristeza, não é compreendida.

O que nos difere é a forma de demonstrar aquilo que temos em comum. Não disfarço. Não represento. Não me engano. Somos todos frustrados.
Hoje não é ainda minha vez de sorrir. E não peço compreensão. Não peço amizade. Não peço palavras de conforto. Portanto me deixe quieta.
Dê-me a indiferença, pois abro mão de suas falsas formalidades.